Concluído · Território
ELI Cocais: a construção de um ecossistema de inovação em Caxias e Timon
Dez meses de articulação territorial que transformaram dois municípios do leste maranhense em um ecossistema de inovação com governança constituída, três setores estratégicos e plano de ação oficializado.
- Instituição
- SEBRAE-MA, Unidade de Inovação e Tecnologia
- Território
- Caxias e Timon, Região dos Cocais (MA)
- Período
- 2025
- Papel
- Consultor responsável e facilitador ELI, pela INGETI, empresa executora do contrato. Responsável pela articulação institucional, condução dos cinco workshops, diagnóstico de maturidade e elaboração do Plano de Ação 2026.
O problema
Caxias e Timon somam mais de 335 mil habitantes, dois campi do IFMA, universidades privadas e um PIB conjunto de aproximadamente R$ 4,2 bilhões. Mesmo assim, não havia ecossistema de inovação: os atores existiam, mas operavam isolados, sem governança, sem pauta comum e sem qualquer instância que conectasse universidade, empresa, governo e sociedade civil.
O que estava em jogo
O SEBRAE-MA precisava de mais do que um diagnóstico. Precisava que o território assumisse o protagonismo, porque ecossistema que depende do facilitador para existir morre quando o contrato acaba. A pergunta real do projeto não era "como mapear os atores dos Cocais", era "como sair em dezembro deixando algo que continue funcionando sem mim".
A intervenção
Dez meses de atuação em campo, com mais de 1.500 horas de consultoria técnica, estruturados na Metodologia ELI e organizados em cinco perguntas-guia: onde estamos, como estamos, quem somos, como chegaremos (OKRs) e como chegaremos (plano de ação).
Cinco workshops co-construídos, realizados de forma itinerante entre as duas cidades para que nenhuma delas se sentisse a sede do processo: mapeamento histórico e de recursos no SEBRAE Caxias, diagnóstico de maturidade no IFMA Timon, definição de propósito e governança na Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Caxias, OKRs na UEMA Timon e plano de ação no IFMA Caxias.
Entre os workshops, missões de campo mensais, visitas institucionais e entrevistas de mapeamento. O desenho da governança usou a ferramenta P2P (princípios, participantes, estrutura e práticas) e nomeou Guardiões Setoriais para cada um dos três setores priorizados, de modo que a responsabilidade ficasse distribuída entre instituições do território e não concentrada no SEBRAE.
Método aplicado: Metodologia ELI (SEBRAE Nacional / Impact Hub Brasil, 2024), com diagnóstico de maturidade da Fundação CERTI, Círculo Dourado e Canvas 5W2H+.
Resultados
40+
atores da quádrupla hélice mobilizados: governo, academia, empresas e sociedade civil organizada
Fonte: Relatório Final ELI Cocais, SEBRAE-MA/INGETI · dez/2025
5
workshops metodológicos realizados entre junho e outubro de 2025
Fonte: Relatório Final ELI Cocais, SEBRAE-MA/INGETI · dez/2025
3
setores estratégicos priorizados por votação: agronegócio, educação e tecnologia, e turismo
Fonte: Relatório Final ELI Cocais, SEBRAE-MA/INGETI · dez/2025
6,91
primeira medição de maturidade do ecossistema, na escala de 0 a 30 da Fundação CERTI. É a linha de base para 2026, não uma nota de desempenho
Fonte: Relatório Final ELI Cocais, SEBRAE-MA/INGETI · dez/2025
Governança
constituída, com Guardiões Setoriais nomeados e Pacto pela Inovação assinado publicamente em 4 de dezembro de 2025
Fonte: Relatório Final ELI Cocais, SEBRAE-MA/INGETI · dez/2025
Plano 2026
Plano de Ação 2026 oficializado, com OKRs por setor, prazos, responsáveis e custos
Fonte: Relatório Final ELI Cocais, SEBRAE-MA/INGETI · dez/2025
Cocais Valley
consolidado como identidade e comunidade do ecossistema
Fonte: Relatório Final ELI Cocais, SEBRAE-MA/INGETI · dez/2025
Durante o período, o IFMA Timon alcançou o 1.º lugar nacional em incubação de startups. É um ativo do território, não um resultado do projeto, e é exatamente o tipo de força que a estruturação do ecossistema passou a conectar.
Evidências
Relatório Final ELI Cocais 2025
Documento público, 45 páginas.
Evento de lançamento oficial
4 de dezembro de 2025, Caxias-MA.
Contratante
SEBRAE-MA, Unidade de Inovação e Tecnologia.
O que aprendi
Ecossistema não se implanta, se articula. A tentação em projetos assim é entregar um documento bonito e um evento cheio; o que sustenta o resultado é quem fica responsável por cada pedaço depois que o consultor vai embora. Por isso a governança veio antes do plano, e não depois. E, por isso, os workshops foram itinerantes.
A segunda lição é sobre honestidade de medição. Maturidade 6,91 numa escala de 30 é um número baixo, e havia pressão implícita para apresentá-lo de forma mais generosa. Manter a medição real é o que torna possível provar avanço em 2026. Diagnóstico que agrada não serve para nada.